From such a long voyage you came.
What blistered heart, what royal shame,
What senseless tragedy lingers in your timid smile?
What thoughts cloud your mirror to think
Without doubts, in a fractioned blink,
That reflection is a waste of light refraction,
A sad sobbing caption,
A comic relief to the life of the happy and blue?
Had I the magic ability,
The vaguely remote possibility
Of creating a being which is me but which is not,
He'd tell you in a tone like music light and thin
"Your soul is like a sea I want to drown in
So that my body may forever rest in peace."
Yet acting out of my own caprice
Wanting to selfishly comfort you.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Sou Feliz
Sento-me aqui como qualquer símio.
Urro por dentro como uma besta assustada,
Inverto a corrente do ar a passo apressado,
Tambores graves em timbre anasalado
Que me soam aos ouvidos como gritos de guerra.
Estou cansado de moedas, de palavras complexas e estrangeiradas,
Estou cansado de porquês e arrufos de amantes,
De taxas pagas a pão e água e de mágoa gratuita,
Essa sim cansado dela,
Matrona dos males da cumplicidade e puta rafeira que nem cobra
Para fornicar meia dúzia de gatos pingados à beira de um abismo.
Frases vaga, que simples conforto, mas é oco,
Fruto amargo de um Satanás fabricado,
Uma verdade la Palisse pura e dura
Que me é enfiada na goela
Como se de ambrósia se tratasse!
Desdenho o engano e verbos matreiros
E enfurece-me saber que os engulo a cada instante
Só para poder dormir descansado e pensar que na mentira e por instantes
Sou feliz.
Urro por dentro como uma besta assustada,
Inverto a corrente do ar a passo apressado,
Tambores graves em timbre anasalado
Que me soam aos ouvidos como gritos de guerra.
Estou cansado de moedas, de palavras complexas e estrangeiradas,
Estou cansado de porquês e arrufos de amantes,
De taxas pagas a pão e água e de mágoa gratuita,
Essa sim cansado dela,
Matrona dos males da cumplicidade e puta rafeira que nem cobra
Para fornicar meia dúzia de gatos pingados à beira de um abismo.
Frases vaga, que simples conforto, mas é oco,
Fruto amargo de um Satanás fabricado,
Uma verdade la Palisse pura e dura
Que me é enfiada na goela
Como se de ambrósia se tratasse!
Desdenho o engano e verbos matreiros
E enfurece-me saber que os engulo a cada instante
Só para poder dormir descansado e pensar que na mentira e por instantes
Sou feliz.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O rei vai nu
Despojo-me de tudo o que trouxe para o meu covil.
Escarro para um canto a amargura e alegria, fáceis produtos do dia-a-dia
Que tanto em enchem o frontispício de não presta,
Removo-me do mundo como um resquício penado de um parente desconhecido
E grito em fúria para os restos carcomidos que tenho para jantar.
São horas de gentes decentes e de família repousarem nas suas camas
Engomadas, rectas e frias, apaparicadas por todos os truques de conforto,
Religiosamente executados pela mulher da limpeza
Que visita a casa três vezes por semana a trinta e cinco euros ao dia.
Mas aqui estou eu, noctívago associal, só na minha liberdade silenciosa,
Acompanhado pela luz artificial, a nicotina e o uivo dos rafeiros
Em explosões entrópicas de arte e ócio, cativado pela tão temida madrugada,
Essa puta sarnenta de lendas de fantasmas,
Lapidada pelo conveniente horário das nove às cinco!
Solto suspiros, ela é minha por mais ninguém a tomar!
Um irónico prémio de consolação só para mim, é tudo meu,
A rua, as árvores, as pedras, os carros, os pássaros, as luzes,
Sou um rei no castelo, e tenho como rainha a manta rota que é o céu
E como súbditos os ilustres e desconhecidos inaptos sociais,
Que se vendem, injectam e tremem debaixo de um pedaço de cartão,
Metade dos quais mandaria à morte certa
Só para me sentir mais sozinho.
Em que dia deixei esta malícia entrar pela porta da minha casa?
E em que dia tomei aos lábios as suas pernas escancaradas,
Desprovido de qualquer tipo de empatia à restante massa bípede?
Em que madrugada deixei que me matassem a criança
E me trocassem por um solitário rei de nenhures?
Escarro para um canto a amargura e alegria, fáceis produtos do dia-a-dia
Que tanto em enchem o frontispício de não presta,
Removo-me do mundo como um resquício penado de um parente desconhecido
E grito em fúria para os restos carcomidos que tenho para jantar.
São horas de gentes decentes e de família repousarem nas suas camas
Engomadas, rectas e frias, apaparicadas por todos os truques de conforto,
Religiosamente executados pela mulher da limpeza
Que visita a casa três vezes por semana a trinta e cinco euros ao dia.
Mas aqui estou eu, noctívago associal, só na minha liberdade silenciosa,
Acompanhado pela luz artificial, a nicotina e o uivo dos rafeiros
Em explosões entrópicas de arte e ócio, cativado pela tão temida madrugada,
Essa puta sarnenta de lendas de fantasmas,
Lapidada pelo conveniente horário das nove às cinco!
Solto suspiros, ela é minha por mais ninguém a tomar!
Um irónico prémio de consolação só para mim, é tudo meu,
A rua, as árvores, as pedras, os carros, os pássaros, as luzes,
Sou um rei no castelo, e tenho como rainha a manta rota que é o céu
E como súbditos os ilustres e desconhecidos inaptos sociais,
Que se vendem, injectam e tremem debaixo de um pedaço de cartão,
Metade dos quais mandaria à morte certa
Só para me sentir mais sozinho.
Em que dia deixei esta malícia entrar pela porta da minha casa?
E em que dia tomei aos lábios as suas pernas escancaradas,
Desprovido de qualquer tipo de empatia à restante massa bípede?
Em que madrugada deixei que me matassem a criança
E me trocassem por um solitário rei de nenhures?
domingo, 4 de setembro de 2011
Saturno
Dou-te o meu beijo,
Dás-me fome, dás-me peste negra,
Mascas-me a lua,
E arruinas-me a noite aberta
Qual cirugia
Cujo ponto é feito a linha de chumbo
P'ra me matares com veneno lento.
Estripas estrelas e arremessas os seus restos ao Mundo,
Até sobrarem pedras, fogo e vento.
Meu doce pó,
Minha canção de caos e entropia,
Meu astro negro
Que cintila ao tom da ironia.
Ai que me gozas de alto e longe nesse gesto maldito!
Que me enrijeces o âmago soturno.
Faz-me sentir que sou um louco animal erudito
A ruminar nos anéis de Saturno.
Dás-me fome, dás-me peste negra,
Mascas-me a lua,
E arruinas-me a noite aberta
Qual cirugia
Cujo ponto é feito a linha de chumbo
P'ra me matares com veneno lento.
Estripas estrelas e arremessas os seus restos ao Mundo,
Até sobrarem pedras, fogo e vento.
Meu doce pó,
Minha canção de caos e entropia,
Meu astro negro
Que cintila ao tom da ironia.
Ai que me gozas de alto e longe nesse gesto maldito!
Que me enrijeces o âmago soturno.
Faz-me sentir que sou um louco animal erudito
A ruminar nos anéis de Saturno.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Siege
Through hidden layers and blackened tongues storming at the silver ringed gates...
You just had to do it.
Ye, whose words spat the most delicate weavings, masterfully poured into my sound pavillion,
Songs of "do" and "don't" in glistening harmony, and through that web of perfect chants... Prosperity at it's best, traded for a lick at the Devil's heart.
You really had to do it.
Does my tongue evoke such monsters? Or do the monsters secretly overcome our holy Kingdom? Does night fall all that easily for the minds of faithless men, lulled by the sweet drops of satin debochery as the unwary fisherman is wooed by the Siren's voice? Clouded MY voice, temptation lurks in walls of glistening oozing marble, stripped of it's glorious banners.
So here I stand and ponder the whys of you doing it, considering the stormed holy Kingdom being ruled by fiends in my absence and the choices there taken, my mind ravaged by the thought that maybe, in a faint dumbstruck theory, I should just let Hell breach my walls and take whatever they may... And maybe I am not fit to rule in war.
Alas disappointment is a bitch.
And you really had to do it...
You just had to do it.
Ye, whose words spat the most delicate weavings, masterfully poured into my sound pavillion,
Songs of "do" and "don't" in glistening harmony, and through that web of perfect chants... Prosperity at it's best, traded for a lick at the Devil's heart.
You really had to do it.
Does my tongue evoke such monsters? Or do the monsters secretly overcome our holy Kingdom? Does night fall all that easily for the minds of faithless men, lulled by the sweet drops of satin debochery as the unwary fisherman is wooed by the Siren's voice? Clouded MY voice, temptation lurks in walls of glistening oozing marble, stripped of it's glorious banners.
So here I stand and ponder the whys of you doing it, considering the stormed holy Kingdom being ruled by fiends in my absence and the choices there taken, my mind ravaged by the thought that maybe, in a faint dumbstruck theory, I should just let Hell breach my walls and take whatever they may... And maybe I am not fit to rule in war.
Alas disappointment is a bitch.
And you really had to do it...
domingo, 26 de junho de 2011
Às cinco na Igreja
Uiva um sonho por entre as chaminés.
Abraçado pela sua doce Umbra ele deambula num gemido constante, impróprio a si próprio num modo sempre tão apropriado. A populaça mexe-se sob os seus pés, mas nenhum naco do rebanho dá por si: é um fantasma, uma sombra, um espectro penado e mesmo assim, quão bem reluz a sua pele ao doce luar que nunca o bafeja.
E que importa que seja apenas o próprio a admirar-se?! Quão bem pulsam os frenéticos rios esverdeados sob a sua pele fantasiada, ardentes em glória dormente, mortos apetrechos para se enganar a si e a si somente. Quão maquiavélico é o reflexo do árgon incandescente nos seus olhos indiferentes, quão caótico o flutuar de um cabelo fora do seu caminho. E que ego narcísico inunda a criatura!
Mas o repente fumado sublima o momento. O segundo uivo reverbera pelo betão feio e estuque do jardim urbano, cada vez mais perto, num gorgolejar cacofónico de glória e ira que estremecem o estribo do sonhador. E ao olhar para baixo... Será possível? Um aglomerado agoniado de negro escuro fumado olha para si, quiçá pasmado. Mas será para si? Não para a lua, como todos os seres de Nix, ou talvez ao mudo sino que há tanto se reduz a uma cassete rouca e obsoleta?
O lobo uivou mais uma vez. Inconfundível reconhecimento. Um grotesco monstro familar, quão diferente da sua pele de trâmitos mundanos, que manifestação tão soturna em comparação com o ego encarnado e, no entanto, ambos figuras tão distintas e fiéis a si próprios como poderiam algum dia ser.
"Conforme combinado." rosnou a difusa silhueta do lobisomem, pulando para junto do pálido fantasma expectante que com um cordial acenar se sentou ao seu lado e retorquiu, quais cavalheiros num café da moda. "Às cinco na Igreja."
Abraçado pela sua doce Umbra ele deambula num gemido constante, impróprio a si próprio num modo sempre tão apropriado. A populaça mexe-se sob os seus pés, mas nenhum naco do rebanho dá por si: é um fantasma, uma sombra, um espectro penado e mesmo assim, quão bem reluz a sua pele ao doce luar que nunca o bafeja.
E que importa que seja apenas o próprio a admirar-se?! Quão bem pulsam os frenéticos rios esverdeados sob a sua pele fantasiada, ardentes em glória dormente, mortos apetrechos para se enganar a si e a si somente. Quão maquiavélico é o reflexo do árgon incandescente nos seus olhos indiferentes, quão caótico o flutuar de um cabelo fora do seu caminho. E que ego narcísico inunda a criatura!
Mas o repente fumado sublima o momento. O segundo uivo reverbera pelo betão feio e estuque do jardim urbano, cada vez mais perto, num gorgolejar cacofónico de glória e ira que estremecem o estribo do sonhador. E ao olhar para baixo... Será possível? Um aglomerado agoniado de negro escuro fumado olha para si, quiçá pasmado. Mas será para si? Não para a lua, como todos os seres de Nix, ou talvez ao mudo sino que há tanto se reduz a uma cassete rouca e obsoleta?
O lobo uivou mais uma vez. Inconfundível reconhecimento. Um grotesco monstro familar, quão diferente da sua pele de trâmitos mundanos, que manifestação tão soturna em comparação com o ego encarnado e, no entanto, ambos figuras tão distintas e fiéis a si próprios como poderiam algum dia ser.
"Conforme combinado." rosnou a difusa silhueta do lobisomem, pulando para junto do pálido fantasma expectante que com um cordial acenar se sentou ao seu lado e retorquiu, quais cavalheiros num café da moda. "Às cinco na Igreja."
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Red Star
Once upon our own time,
There was a bright red star.
No one knew from what place,
Except it's from afar.
It seemed not to shine high,
It shone gloom, actually,
No one knew as to why,
What would cause it to be.
Could it lack the right skill?
Some stars shine expertise!
But this star had it still,
So it could shine with ease!
Could it be out of shame?
There'd be no reason why.
The red star was unique,
No excuse to be shy!
Could it feel out of place?
Ah, but all of them do,
So it sounds quite baroque
To consider that too.
Could this star feel alone?
Why would it feel that way?
Green, blue, white stars shine close,
With things friendly to say.
Could this star be too sad?
I just hope that it's not.
Red stars shine in a way
That the others cannot.
There was a bright red star.
No one knew from what place,
Except it's from afar.
It seemed not to shine high,
It shone gloom, actually,
No one knew as to why,
What would cause it to be.
Could it lack the right skill?
Some stars shine expertise!
But this star had it still,
So it could shine with ease!
Could it be out of shame?
There'd be no reason why.
The red star was unique,
No excuse to be shy!
Could it feel out of place?
Ah, but all of them do,
So it sounds quite baroque
To consider that too.
Could this star feel alone?
Why would it feel that way?
Green, blue, white stars shine close,
With things friendly to say.
Could this star be too sad?
I just hope that it's not.
Red stars shine in a way
That the others cannot.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Motto against Drama
I turned to you with the frown most bleak.
Thoughts unspoken clutched my soul,
Swelled up, swallowed me whole.
As out of your bed I rolled
I opened my mouth to speak:
"There are things I never said,
Thoughts, ideas, memories,
Things I see that no one sees,
Things I can't show you, but please,
Bear them as they are played.
I can't speak them for they'd be lies,
Mortal wounds painted in gray.
In my head they seem OK,
But in made-up words I just can't say.
Thoughts are things I can't disguise.
Special soul which you may be,
Too much may be stored ahead,
We walked paths which no one led,
From no book this can be red,
I don't know if you can truly know me."
Snatching me as I got away,
You stood up in front of the window,
In a curtain background of bordeaux,
Smiled a smile that seemed to grow,
Mesmerized me just to say:
"Mortal wounds hurt more than lies.
Things unsaid are superficial,
Things forgotten artificial.
Things superfluous are never special
As long as they don't end up in goodbyes."
Thoughts unspoken clutched my soul,
Swelled up, swallowed me whole.
As out of your bed I rolled
I opened my mouth to speak:
"There are things I never said,
Thoughts, ideas, memories,
Things I see that no one sees,
Things I can't show you, but please,
Bear them as they are played.
I can't speak them for they'd be lies,
Mortal wounds painted in gray.
In my head they seem OK,
But in made-up words I just can't say.
Thoughts are things I can't disguise.
Special soul which you may be,
Too much may be stored ahead,
We walked paths which no one led,
From no book this can be red,
I don't know if you can truly know me."
Snatching me as I got away,
You stood up in front of the window,
In a curtain background of bordeaux,
Smiled a smile that seemed to grow,
Mesmerized me just to say:
"Mortal wounds hurt more than lies.
Things unsaid are superficial,
Things forgotten artificial.
Things superfluous are never special
As long as they don't end up in goodbyes."
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Fado em contra-luz
Se me pedires porventura,
Num momento de ternura
Um olhar de doçura,
eu dou.
Se quiseres um encosto
Por um infeliz desgosto,
Não abandono o posto,
Lá estou.
Se quiseres o infinito,
Seja verdade ou mito,
Se o encontrar não hesito,
Eu to oferto.
Se achares que estou distante,
Como a um cego amante
Pede e num breve instante,
Estou perto.
Mas...
Se mandar o coração,
Que me apertes a mão
Cedo à triste ilusão
Que seduz.
Ao fim do dia, em segredo,
Por saber que sofres medo,
Amo-te pelo avesso,
Em contra-luz.
Num momento de ternura
Um olhar de doçura,
eu dou.
Se quiseres um encosto
Por um infeliz desgosto,
Não abandono o posto,
Lá estou.
Se quiseres o infinito,
Seja verdade ou mito,
Se o encontrar não hesito,
Eu to oferto.
Se achares que estou distante,
Como a um cego amante
Pede e num breve instante,
Estou perto.
Mas...
Se mandar o coração,
Que me apertes a mão
Cedo à triste ilusão
Que seduz.
Ao fim do dia, em segredo,
Por saber que sofres medo,
Amo-te pelo avesso,
Em contra-luz.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
The drunkard's lament
Bodies burst to thousand stars
Leaving deep and burning scars,
Silence, scents and sweet seduction
Instigate mental reduction.
Father Nix and Somnus witness
The embrace, pious caress,
Which enthralled me to those wishes
Through melodramatic kisses.
Fragile being, faint illusion,
Mathematical conclusion,
Remembrance of past grim fate,
Arriving a bit too late.
Soon it's gone and last unspoken,
Blissful dream until awoken,
Stars dance dead and soon they fade
To the love we never made.
Leaving deep and burning scars,
Silence, scents and sweet seduction
Instigate mental reduction.
Father Nix and Somnus witness
The embrace, pious caress,
Which enthralled me to those wishes
Through melodramatic kisses.
Fragile being, faint illusion,
Mathematical conclusion,
Remembrance of past grim fate,
Arriving a bit too late.
Soon it's gone and last unspoken,
Blissful dream until awoken,
Stars dance dead and soon they fade
To the love we never made.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Veluta
Violinos...
Soam-me a cordas
As pequenas parcelas estéticas
Que outrora foram uma flor.
Flautas...
Soam-me a sopros,
Os bóreas delicodoces que as levam,
Carregando consigo o segredo de mais uma estação.
E quão harmonioso é o seu concerto!
Acordes claros, simétricos,
Trindades melancólicas em terceiras e quintas,
Em modo menor que à tristeza tanto permite,
Tão discretas como o som da neve ao cair,
Cada momento um pizzicatto perfeito,
Colocado no momento único a si,
Guiado pela matemática inerente do momento...
Sempre com resolução adequada.
Mas ao retomar do tema, o vento mudou.
Onde foi a dança de sensações feitas sons?
Onde está o melancólico modo menor
Que tanto me acariciou no momento fugaz
Da queda dos violinos?
Porque se inverteu o correr das estações
Fazendo a Primavera dar lugar ao Inverno,
E repousa a minha neve de acordes
Numa calada lagoa gelada?
Soam-me a cordas
As pequenas parcelas estéticas
Que outrora foram uma flor.
Flautas...
Soam-me a sopros,
Os bóreas delicodoces que as levam,
Carregando consigo o segredo de mais uma estação.
E quão harmonioso é o seu concerto!
Acordes claros, simétricos,
Trindades melancólicas em terceiras e quintas,
Em modo menor que à tristeza tanto permite,
Tão discretas como o som da neve ao cair,
Cada momento um pizzicatto perfeito,
Colocado no momento único a si,
Guiado pela matemática inerente do momento...
Sempre com resolução adequada.
Mas ao retomar do tema, o vento mudou.
Onde foi a dança de sensações feitas sons?
Onde está o melancólico modo menor
Que tanto me acariciou no momento fugaz
Da queda dos violinos?
Porque se inverteu o correr das estações
Fazendo a Primavera dar lugar ao Inverno,
E repousa a minha neve de acordes
Numa calada lagoa gelada?
Flavors
Romantismo musical
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Cherry
Bite it, lick it,
Eat the cherry,
Do I love it?
Oh so very!
Can be visual
Or literary,
It's just so
Extraordinary!
It's not fake,
Imaginary,
It's so tasty
It's quite scary!
Does no harm,
Quite the contrary,
Polka-dotted,
Fun and merry,
Sings it loud
Like a canary!
Permanent,
Not temporary,
As obscene
As Virgin Mary!
Check it out,
Don't be a fairy,
Come on, now,
It's just a berry!
Eat the cherry,
Do I love it?
Oh so very!
Can be visual
Or literary,
It's just so
Extraordinary!
It's not fake,
Imaginary,
It's so tasty
It's quite scary!
Does no harm,
Quite the contrary,
Polka-dotted,
Fun and merry,
Sings it loud
Like a canary!
Permanent,
Not temporary,
As obscene
As Virgin Mary!
Check it out,
Don't be a fairy,
Come on, now,
It's just a berry!
Flavors
Very Berry Cherry
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
After all
After spitting on the hand that once helped you,
After destroying it all just 'cause you felt blue,
After raging for something you quite didn't know,
After making enemies of the rain and the snow,
After mocking the feeling they offered as loyal,
After forgetting respect and crowning yourself royal,
After installing around you the perfect monopoly,
After having it planted, you poisoned the tree,
After carving the idol you labeled him banished,
After raising the sword, saying it wasn't brandished,
After wooing with deciet the lamb and the herder,
After having it all you just had to go further.
After forgiveness without end,
There is now no more amend,
For you made that sharp nail bed
The moment you wished me dead.
After destroying it all just 'cause you felt blue,
After raging for something you quite didn't know,
After making enemies of the rain and the snow,
After mocking the feeling they offered as loyal,
After forgetting respect and crowning yourself royal,
After installing around you the perfect monopoly,
After having it planted, you poisoned the tree,
After carving the idol you labeled him banished,
After raising the sword, saying it wasn't brandished,
After wooing with deciet the lamb and the herder,
After having it all you just had to go further.
After forgiveness without end,
There is now no more amend,
For you made that sharp nail bed
The moment you wished me dead.
domingo, 8 de novembro de 2009
Dançando com o Diabo
Efémera silhueta de chamas,
Tentação e razão da mente que terá sido una.
É ambíguo o passo lânguido da devassa figura,
Sendo ela não mais que um reflexo do ego
Que ondula ao sabor de não se sabe bem o quê.
Sucumbo aos seus prazeres.
E para quê?
Para me envolver nesta arte de primatas,
Este gerúndio sem fim que me apela à prevaricação.
Para ser castrada a liberdade com rasgados sorrisos
Que apenas tal figura onírica me poderia ofertar.
Ah, amistoso espectro da maldade mais inocente!
E pensar que me tentas, por místicos meios falíveis,
A cheirar também eu ao enxofre do teu reino sem súbditos.
E tudo por uma dança de bailarico,
Um teatro que não o era,
Uma sentida e pura vontade que não alcançará jamais a luz do dia...
Por um desejo ilegítimo morto à nascença.
Mas por fim voam centelhas ao pisar dos seus cascos!
E cospem-se labaredas, e vociferam-se impropérios em vil devaneio!
Solta-se a derradeira nota, cessa-se o passo,
Pois não mais a banda toca em honra de sua majestade infernal,
Fora a própria que por fim apelara ao silêncio.
Cai por terra a folia agora sem regras
Que, em tom passado, se ensinaram e aprenderam.
Não mais sucumbo a tomar a mão da discórdia
E renego a adulteração do ego que manifesto.
Não mais danço com a flamejante figura
Pois este Diabo tem pés de chumbo.
Tentação e razão da mente que terá sido una.
É ambíguo o passo lânguido da devassa figura,
Sendo ela não mais que um reflexo do ego
Que ondula ao sabor de não se sabe bem o quê.
Sucumbo aos seus prazeres.
E para quê?
Para me envolver nesta arte de primatas,
Este gerúndio sem fim que me apela à prevaricação.
Para ser castrada a liberdade com rasgados sorrisos
Que apenas tal figura onírica me poderia ofertar.
Ah, amistoso espectro da maldade mais inocente!
E pensar que me tentas, por místicos meios falíveis,
A cheirar também eu ao enxofre do teu reino sem súbditos.
E tudo por uma dança de bailarico,
Um teatro que não o era,
Uma sentida e pura vontade que não alcançará jamais a luz do dia...
Por um desejo ilegítimo morto à nascença.
Mas por fim voam centelhas ao pisar dos seus cascos!
E cospem-se labaredas, e vociferam-se impropérios em vil devaneio!
Solta-se a derradeira nota, cessa-se o passo,
Pois não mais a banda toca em honra de sua majestade infernal,
Fora a própria que por fim apelara ao silêncio.
Cai por terra a folia agora sem regras
Que, em tom passado, se ensinaram e aprenderam.
Não mais sucumbo a tomar a mão da discórdia
E renego a adulteração do ego que manifesto.
Não mais danço com a flamejante figura
Pois este Diabo tem pés de chumbo.
domingo, 11 de outubro de 2009
Frases feitas
Se o Verão é brasa em fúria,
Travo seco, fogo ardente,
O Inverno é fria lamúria,
Apatia omnipresente.
Se a calma é tempo imenso,
Linha sóbria e inteira,
A raiva é mistério denso,
Mancha negra, desordeira.
Se a alegria é orgasmo,
Trinta risos de assentada,
A tristeza é um poço
Onde já não nasce nada.
Se o dia é movimento,
Energia laboral,
A noite é ponderada
Em azul imperial.
Se amor é sentimento
Que vai longe e mais além,
O ódio não é diferente,
E é tudo isso também.
Se a verdade é trivial
Quanto tudo o que aqui disse,
Então pudera eu dar por ela
No momento em que a visse.
Travo seco, fogo ardente,
O Inverno é fria lamúria,
Apatia omnipresente.
Se a calma é tempo imenso,
Linha sóbria e inteira,
A raiva é mistério denso,
Mancha negra, desordeira.
Se a alegria é orgasmo,
Trinta risos de assentada,
A tristeza é um poço
Onde já não nasce nada.
Se o dia é movimento,
Energia laboral,
A noite é ponderada
Em azul imperial.
Se amor é sentimento
Que vai longe e mais além,
O ódio não é diferente,
E é tudo isso também.
Se a verdade é trivial
Quanto tudo o que aqui disse,
Então pudera eu dar por ela
No momento em que a visse.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Uivo
Sombras espessas e geladas
Mancham as minhas passadas
Quando a lua, cheia e nua
Poisa em mim sua luz crua.
Pulsa forte, feia, fria
Como cheiro que arrepia.
Mancha fina, firme, forte
Comparável com a morte.
Mantra unilateral,
Voz distante, imaterial,
Luxuosa e sem igual.
Imune ao digital,
Cor vibrante, surreal,
D'uma saturação tal
Que se prova desleal
Contra luz artificial.
Esfera deusa no astral,
Fonte fresca e maternal,
Indiferente, mas sem mal,
Que eleva ao fatal
Qualquer desejo carnal,
Falso ou fundamental.
E eis que se vai, alada,
Em glória afugentada,
Para o seu apeadeiro.
Mais um dia soalheiro.
Mancham as minhas passadas
Quando a lua, cheia e nua
Poisa em mim sua luz crua.
Pulsa forte, feia, fria
Como cheiro que arrepia.
Mancha fina, firme, forte
Comparável com a morte.
Mantra unilateral,
Voz distante, imaterial,
Luxuosa e sem igual.
Imune ao digital,
Cor vibrante, surreal,
D'uma saturação tal
Que se prova desleal
Contra luz artificial.
Esfera deusa no astral,
Fonte fresca e maternal,
Indiferente, mas sem mal,
Que eleva ao fatal
Qualquer desejo carnal,
Falso ou fundamental.
E eis que se vai, alada,
Em glória afugentada,
Para o seu apeadeiro.
Mais um dia soalheiro.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O homúnculo
Sacio uma vontade gutural na terceira pessoa
E pondero os místicos dizeres de além-ser.
Palpita pelas veias o sumo alado e ascendente,
Ode inaudível à esposa do hipotálamo, ela ressoa mesmo assim
Sereno esbracejas venoso que me comprime
Em forma antropomórfica desconhecida.
Exposta a minúcia da férrea corrente,
Monstro de cristais e mercúrio virulento,
Advém a mim, liliputiano imaginário, a suposição
De que vida invade a minha casa de carbono.
Mártir à condição craniana
Encolho-me qual ideia desviante
E masco pensamentos de discórdia e erotismo,
Extasiado pelos sons da madrugada.
Ardente pelo soltar da meninge,
Placenta envolvente e meu lar,
Quero saborear o prato genérico da consciência.
Monstro de escombros patológicos
Sem vesícula que me dissolva o desejo,
Arranho o crânio com a cor carmesim
E expulso as minhas dores agudas e reflexas
Em zumbidos estáticos e crescentes, vibrantes até ao estribo.
Mas eis que a sinfonia da sanidade
Se sobrepõe à minha cacofonia inquieta
Com o acordar do escudo da córnea,
Inundando-me de vaporosas trevas novamente.
Fecho o meu tórax e resfrio o meu canto
Para voltar a ser um feto de temores,
O parceiro do polígamo mestre raiado,
Cujo reino é o esqueleto e o fosso a louca consciência.
Sou novamente homúnculo,
O desejo de quem não me controla.
E pondero os místicos dizeres de além-ser.
Palpita pelas veias o sumo alado e ascendente,
Ode inaudível à esposa do hipotálamo, ela ressoa mesmo assim
Sereno esbracejas venoso que me comprime
Em forma antropomórfica desconhecida.
Exposta a minúcia da férrea corrente,
Monstro de cristais e mercúrio virulento,
Advém a mim, liliputiano imaginário, a suposição
De que vida invade a minha casa de carbono.
Mártir à condição craniana
Encolho-me qual ideia desviante
E masco pensamentos de discórdia e erotismo,
Extasiado pelos sons da madrugada.
Ardente pelo soltar da meninge,
Placenta envolvente e meu lar,
Quero saborear o prato genérico da consciência.
Monstro de escombros patológicos
Sem vesícula que me dissolva o desejo,
Arranho o crânio com a cor carmesim
E expulso as minhas dores agudas e reflexas
Em zumbidos estáticos e crescentes, vibrantes até ao estribo.
Mas eis que a sinfonia da sanidade
Se sobrepõe à minha cacofonia inquieta
Com o acordar do escudo da córnea,
Inundando-me de vaporosas trevas novamente.
Fecho o meu tórax e resfrio o meu canto
Para voltar a ser um feto de temores,
O parceiro do polígamo mestre raiado,
Cujo reino é o esqueleto e o fosso a louca consciência.
Sou novamente homúnculo,
O desejo de quem não me controla.
sábado, 4 de julho de 2009
Floating in denial
Float...
Float like a fallen green leaf.
Wander the surface of this vast lake's waters,
Let it's calmness become your soul's petty thief.
Wander...
Wander through the skies,
Let your eyes dance with the flying swallows,
See in clouds promises of sweet lies.
Listen...
Listen to the whistling wind,
The grass and bamboo flutes play distant tunes,
Which help you forget that you sinned.
Feel...
Feel the breeze in your skin,
Taking far away spoken words wished forgotten
With it's slow breath, so frail and thin.
Love...
Love this lake as the one you miss.
Float until your senses are pleased and your soul deceased,
Drift forgetting what you felt was amiss,
When you were dismissively denied
That very last kiss.
Float like a fallen green leaf.
Wander the surface of this vast lake's waters,
Let it's calmness become your soul's petty thief.
Wander...
Wander through the skies,
Let your eyes dance with the flying swallows,
See in clouds promises of sweet lies.
Listen...
Listen to the whistling wind,
The grass and bamboo flutes play distant tunes,
Which help you forget that you sinned.
Feel...
Feel the breeze in your skin,
Taking far away spoken words wished forgotten
With it's slow breath, so frail and thin.
Love...
Love this lake as the one you miss.
Float until your senses are pleased and your soul deceased,
Drift forgetting what you felt was amiss,
When you were dismissively denied
That very last kiss.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Fey tale
On Winter nights
The dark kin zests.
In foggy cold heights
The dragon rests.
On Spring dawns
The thin ice breaks.
Through songs of fauns,
The dragon wakes.
On Summer days
Warmth roams the skies.
While Pan's flute plays,
The dragon flies.
On Autumn dusks
The dryad cries.
Oblivion lurks,
The dragon dies.
The dark kin zests.
In foggy cold heights
The dragon rests.
On Spring dawns
The thin ice breaks.
Through songs of fauns,
The dragon wakes.
On Summer days
Warmth roams the skies.
While Pan's flute plays,
The dragon flies.
On Autumn dusks
The dryad cries.
Oblivion lurks,
The dragon dies.
Votos de Narciso
Que me beije, que me toque,
Que me segrede desejos.
Que mos conte, que os diga,
Que confesse os seus almejos.
Que me morda, que me lamba,
Que me me excite e me agrida.
Que me arranhe, que me puxe,
Que me prenda e sugue a vida.
Que me lave e me penteie,
Que me unte e apaparique.
Que me bajule e engraxe,
que me trate como um duque.
Que me adore e me venere,
Que me diga que me ama.
Que se atraia p'ra comigo
Como uma traça à chama.
Que me segrede desejos.
Que mos conte, que os diga,
Que confesse os seus almejos.
Que me morda, que me lamba,
Que me me excite e me agrida.
Que me arranhe, que me puxe,
Que me prenda e sugue a vida.
Que me lave e me penteie,
Que me unte e apaparique.
Que me bajule e engraxe,
que me trate como um duque.
Que me adore e me venere,
Que me diga que me ama.
Que se atraia p'ra comigo
Como uma traça à chama.
Subscrever:
Mensagens (Atom)